Tic-tac – parte II

Perfil do candidato; estudando como será cobrado; planejamento; organização; seleção e aplicação diária de métodos e técnicas de estudo; atualidades e idiomas; seleção bibliográfica

O que está errado nos métodos que usamos?

As maiores contribuições que posso trazer à sua preparação decorrem do princípio da especificidade. Já tratei de que formas ele é um dos definidores da excelência dos métodos de estudo em um extenso texto desta página, no programa de orientação do Grupo Ubique, além de vídeos e debates no YouTube de que participei. Neste texto, resolvi explorar formas mais pragmáticas de aplicá-lo.

É mesmo penoso começar e recomeçar os estudos. Não fomos educados (nem treinados) para sermos excelentes aprendizes. Preocupamo-nos com isso apenas quando nos deparamos com o vestibular, OAB e, por último, quando consideramos fazer um concurso público. O fato de querer ser um servidor do Estado já diz muito sobre nossa personalidade: somos avessos ao risco! Aceitamos o fato de que limitaremos nosso potencial de ganhos financeiros em troca da segurança de um salário fixo. Entendemos que jamais será como na iniciativa privada, que oferece possibilidades de compensações estratosféricas a profissionais com talentos e qualificações não necessariamente superiores aos dos diplomatas. Privilegiamos o conforto de entregar nosso futuro nas mãos de uma instituição em vez de abraçar o desafio de empreender e abrir uma empresa. Isso influencia inexoravelmente a maneira como nos posicionamos diante dos métodos de estudos e como aceitamos (e pedimos) ajuda em nosso processo de preparação. 

Isso explica, em parte, por que nos conformamos em seguir a maré do mercado de concursos. Os primeiros cursos de preparação voltados para a massa de concurseiros foram pensados para a aprovação para cargos da área jurídica. Não poderia ser diferente! Aqueles para outras áreas só proliferaram de uns anos para cá. Não valia a pena abrir um curso para o universo tão pequeno dos ceacedistas. E aqueles professores ou empresários pioneiros que o fizeram, com maior ou menor sucesso, obviamente beberam da única fonte que existia, a jurídica, e trouxeram a solução que parecia mais óbvia: dar aulas. É aquela história de que tudo é prego para quem só tem martelo. Para quem é programador, a melhor solução para qualquer problema passa pela criação de um sistema. O professor dará uma aula quando quiser que alguém aprenda algo. Não tenho nada contra as aulas, só acho que a maioria das pessoas não sabem como tirar o melhor proveito delas. Entretanto, conheço professores brilhantes que sabem como ajudar imensamente nesse aspecto.

Com o avanço da Internet e da possibilidade de aulas on-line, o leque se ampliou, abarcando também outras carreiras exóticas, como a nossa. Mas o estrago já estava feito. Praticamente todos os métodos que se desenvolveram na época embrionária do que é o hoje o que chamo de mercado mainstream de concursos públicos ganharam corpo a partir de um conjunto de pressupostos que não se podem aplicar indiscriminadamente a qualquer certame, especialmente ao CACD, quais sejam:

a) Os cargos jurídicos exigem, de fato, o conhecimento quase que literal das letras de lei. Nesses casos, a memorização é essencial;  a aplicação do juridiquês não é um óbice à aprovação, não sendo comparativamente tão relevante que os candidatos naveguem com fluidez entre os gêneros textuais, nem que se preocupem em refinar o estilo da linguagem que empregam em seus textos. Vejo uma ênfase exagerada na retenção de informação em contraposição ao desenvolvimento da habilidade de resgatá-la e usá-la ativamente, que pressupõe um envolvimento pessoal com a matéria, impossível de conciliar com o calendário rígido dos cursinhos;

b) Não faz parte da preparação jurídica a exigência de estar familiarizado com atualidades externas ou internas. O aspirante a diplomata foi levado a crer que apenas o hábito de leitura de clippings de notícias suprirá essa necessidade de estar atualizado. Nesse caso — e dando o benefício da dúvida ao mesmo mercado que costumo atacar —, aplico a navalha de Hanlon e reconheço que não foi por maldade, mas por falta de conhecimento pedagógico, que criaram esses métodos. Afinal, faz sentido associar uma carreira internacional à leitura assídua de notícias externas. Você não será cobrado pela quantidade de artigos que leu ou pelo seu nível de conhecimento das atualidades, mas sim pela forma como consegue ressignificar e expressar seu próprio entendimento da realidade a partir do conhecimento de fatos. Quando sua compreensão é coerente, as respostas são mais facilmente inferidas na hora da prova. A banca sempre criará algumas questões objetivas com o propósito deliberado de que sejam respondidas erroneamente. Ter a falsa ilusão de que vai conhecer tão bem todos os fatos da atualidade a ponto de não errar nenhum desses itens é uma aposta perigosa. Além do mais, o desvio padrão das notas de PI é baixo (grosseiramente, a média das notas altas é baixa), isto é, suas chances de aumentar sua nota dedicando mais tempo a essa matéria (e consequentemente às notícias) são menores do que se o fizer com outras;

c) As matérias da área jurídica são similares. O jargão e a linguagem empregada tendem a ser os mesmos. Não é o caso no CACD, em que convivem matérias tão díspares quanto Economia e Inglês;

d) As provas jurídicas, sobretudo as de nível médio, almejadas por centenas de milhares de candidatos (técnicos de tribunais, por exemplo), têm ênfase desproporcional em questões objetivas. Por isso, requer-se o domínio de técnicas de estudo específicas para esse tipo de desafio;

e) Carreiras jurídicas não exigem fluência escrita em tantos idiomas estrangeiros. Por mais que neguem o fato, é muito difícil compaginar o estudo de três línguas, fato que tende a dilatar o tempo de preparação para a prova de diplomata. Um colega mais graduado questionou-me se há muitos candidatos que começam a estudar francês ou espanhol do zero. Espantou-se quando eu lhe disse que sim. Ele dava por certo que as pessoas já dominavam os idiomas estrangeiros quando tomavam a decisão de estudar para o concurso;

Em resumo: o ceacedista mal-sucedido não se prepara da forma que será cobrado, nem entende (ou não pratica, o que é pior) que escrever é a melhor e mais específica forma de aprender. Entendo que isso dificilmente poderia ser diferente quando vejo as pessoas buscando conselhos de orientadores que nunca passaram na prova nem são professores especialistas nas matérias. No fim das contas, esses coaches de fora da carreira são vegetarianos que se metem a fazer churrasco.

Planejamento de longo prazo sob a ótica da especificidade

Toda decisão a respeito de que método ou técnica de estudos a ser aplicada em uma situação concreta deve passar necessariamente pela navalha da especificidade. As atividades terão tanto mais valor quanto mais ajudarem a capacitá-lo ao desafio, à experiência e às circunstâncias reais que as provas lhe trarão. Não haveria razão alguma para realizar uma tarefa que não tenha como utilidade principal melhorar sua capacidade de: 1) expressar-se por meio da escrita e construir sua própria versão do conteúdo estudado; 2) julgar os itens objetivos da prova; e 3) lidar com os crivos não tão óbvios do CACD, quais sejam, aqueles relacionadas com o ato de superar a maratona de provas. Vejam que não citei a capacidade de leitura e interpretação. Deixei de fora porque ela está contida na habilidade da escrita. Todo mundo que sabe tocar um instrumento sabe ouvir música, mas nem todos que ouvem música saberão tocar algo. Poucas frases são menos verdadeiras que “quem lê bem, escreve bem”, o tipo de bobagem que as pessoas escutaram alguma vez na vida e repetem como papagaios.

Cada tipo de atividade ou método tem um momento certo para entrar em jogo, tanto no nível do macroplanejamento quanto no micro, quer dizer, no tático. É o primeiro corolário do princípio da especificidade: à medida que a prova se aproxima, toda atividade de estudos deve se parecer cada vez mais com a situação real que você enfrentará. Se é para ser inespecífico, que seja longe da prova. Se a tarefa, o método ou a técnica não contribuem diretamente para seu objetivo geral (ou concreto do mesociclo, como veremos adiante), descarte-a.

Quando sentar para planejar seu próximo macrociclo de estudos (o ano de estudos até a prova seguinte), leve em consideração o corolário temporal. Cada método tem um momento em que produz seus melhores resultados. Lembre-se que você está se preparando para duas provas diferentes — uma objetiva e uma subjetiva, ambas com características não só distintas mas conflitantes em muitos aspectos. A cada período de estudos, algumas habilidades inevitavelmente se desenvolverão em prejuízo de outras. Isso é saudável e desejável. Não é por nada que os primeiros lugares da primeira etapa historicamente tendem a refazer o concurso no ano seguinte: dedicam um esforço desproporcionalmente alto à retenção de informação. Na hora de escrever, faltam articulação e técnicas de sedução. Levando isso em conta, gosto de dividir um plano anual em três fases sequenciadas, ou mesociclos, de duração flexível e objetivos definidos, que correm concomitantemente a um outro projeto (que tem a ver com redação, idiomas e atualidades), que abarca todo o período entre dois certames.

No primeiro mesociclo, que chamo de fase de acumulação, você se expõe ao conteúdo para ganhar uma compreensão básica e genérica deles. É um bom momento para ler livros ou apostilas, ver aulas e se familiarizar com o jargão das matérias. Não deve ser demasiado longo. Em quatro meses você já tem a noção do que ainda não sabe, ao tempo em que consegue ler uma prova de primeira etapa sem achar que está em grego. É saudável, nesse período, construir uma noção educada do que você poderia dizer a respeito dos assuntos se tivesse que explicá-los de forma elementar. Uma apostila ou livro por matéria — talvez dois ou três, em alguns casos — dá conta. No fim do artigo, há sugestões de leitura para cada matéria. Os candidatos avançados e aqueles que já fizeram a prova mais de uma vez aproveitam esse período para se aprofundar nas leituras. Estudar novas fontes que ajudarão a melhorar seu entendimento dos conteúdos e enriquecer suas apostilas. Esqueça os simulados nessa fase. Serão uma distração indesejada.

O primeiro período de estudos deve ainda ser subdividido em meses ou semanas em que se agrupam determinadas matérias e se colocam outras em modo de manutenção. Faz sentido, por exemplo, deixar os livros de Política Internacional para depois de História Mundial. Estudar História do Brasil, História Mundial e Geografia juntos também é desejável. Economia (com exceção de História Econômica) e Direito, por serem mais técnicas e menos extensas, podem vir depois de o candidato ter construído uma base razoável nas demais matérias.

No segundo período, além de realizar leituras mais aprofundadas sobre os temas que já estudou, o candidato certifica-se que está apto a passar na primeira etapa. Sem isso, não adianta ser o ás das canetas. Este ciclo exige que você acerte todas as questões que já caíram. Refaça as que errou e deixou em branco até ter certeza que não restam dúvidas. Há ainda os mecanismos de interpretação das questões que extrapolam o conhecimento do tema cobrado. Domine-os. Já tratei deles em outros meios e devo fazer novamente nessa temporada visando o CACD 2020. Dê o ciclo por encerrado quando tiver a certeza de que a primeira etapa está no bolso. Aprofunde os estudos com leituras e aulas para suprir as lacunas de conhecimento identificadas durante a realização das questões. Leia sobre o que errou. Pergunte-se sempre se deixou de acertar os itens porque não sabia do conteúdo ou porque não os interpretou sob a ótica de um examinador. Lembre-se que a banca, para se blindar de recursos, deixa pistas da resposta certa na linguagem que utiliza. Prepare-se para passar na primeira etapa, mas cuidado com o que deseja: se exagerar, você pode acabar sendo o primeiro colocado nessa fase. E ele quase nunca passa. O diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

O último mesociclo começa na publicação do edital e vai até a última prova. Por razões óbvias, ele muda de característica uma vez superada a primeira etapa. Serão alguns meses em que sua ocupação principal será certificar-se, mais uma vez, de que está afiado nas questões objetivas, refazendo e revisando todas as questões passadas, e que escreveu sobre os assuntos de prova. Agora, ganham pertinência alguns hábitos e práticas que até o momento não eram relevantes (pelo menos não para sua rotina, mas serão para a prova), como a caligrafia, a capacidade de escrever por horas a fio, a estabilização do ciclo circadiano, a noção do tempo necessário para preencher a folha de respostas, o ritmo de linhas escritas por minuto e tantos outros detalhes. Você agora só escreve à mão. Também é o momento em que você completa suas apostilas sobre os temas novos do edital.

Veja como prefiro apostila, e não caderno, uma vez que ela remete a uma construção organizada, estruturada, à ideia de compilação que será lida por outra pessoa. Caderno é algo mais pessoal, íntimo, que não respeita forma, já que ninguém precisa lê-lo. A preocupação de que o que você escreve seja lido tem que estar sempre presente. Um texto escrito para outros incorpora elementos de persuasão, ênfase e argumentação que tendemos inconscientemente a omitir quando escrevemos para nós próprios. É, por mais que não pareça, uma atividade muito distinta.

Escrever excepcionalmente bem não deixa de ser a manifestação de um lado obsessivo e neurótico de nossa personalidade, que uns têm mais aflorados que outros. Digo no bom sentido. É o perfeccionismo na busca pela melhor palavra para o contexto; a agonia de ver um hífen se fazer passar por travessão; a busca pela eufonia; o cuidado extremo de não permitir dois espaços juntos no texto; a mudança da ordem dos termos na oração para causar os efeitos estilísticos e de ênfase desejados. Os melhores escritores que conheço entre os diplomatas são o tipo de gente que tem o hábito de escrever para a Wikipédia e participar das discussões sobre a alteração de verbetes. Preocupam-se com a neutralidade da linguagem e com a clareza da mensagem. Elas têm uma capacidade formidável de convencimento: seus telegramas (como chamamos as comunicações entre os postos e a Secretaria de Estado) parecem fotos ou filmes. Uma releitura quase nunca é necessária. Essa fluência textual é desejada desde agora, já que cada frase truncada, letra mal desenhada, referência anafórica, impropriedade de estilo ou de uso de vocabulário será uma oportunidade de o examinador — que cada vez mais tende a ser um diplomata — cortar pontos de sua nota. Como dizia Bruce Lee: seja [claro] como a água, meu amigo!

Passada a primeira etapa, nem preciso dizer que sua prática de estudos deve consistir em simulações de situações reais de prova. Faça sorteios de temas e escreva sobre eles sem ter tempo para se preparar; responda todas as questões discursivas que já caíram, no formato requerido pela banca, e compare-as com as melhores respostas dos guias animalescos; preocupe-se mais ainda em produzir conhecimento do que em consumir. Essa obsessão deve estar presente desde o início de sua preparação. Nunca é demais reforçar este ponto: você não é cobrado pelo que absorve, mas pelo que consegue produzir e apresentar. É o melhor momento para se certificar de que carrega na memória todos os cartões, snippets, esquemas e mapas mentais que fez. Se não lembra deles durante os estudos, como vai resgatá-los na hora da prova? Repito: você não será cobrado pelas aulas a que assistiu ou livros que leu, mas pelo texto que escreve na lauda do IADES.

Apostilas

Paralelamente aos três mesociclos propostos, nada pode fazer mais sentido do que levar a cabo um projeto de construir suas próprias apostilas das matérias. Essa tarefa começa no primeiro dia dos estudos, com suas primeiras anotações. Elas devem servir de insumo (junto com as aulas e fichamentos) para a versão do texto que será tecido ao longo de meses e muito provavelmente anos. A apostila de cada matéria ou tópico terá, grosseiramente, quatro níveis: o primeiro é composto por anotações soltas e bullet points. São apontamentos desconexos entre si. São o esqueleto do que em seguida será a versão organizada. Um texto do segundo nível é uma espécie de resumo básico, normalmente sobre o primeiro manual que você leu sobre a matéria. Se pensou em um resumo do Boris Fausto, do Mankiw, do Burns, do Portella ou do Conexões, acertou. O terceiro nível incorpora, compila e sintetiza o conteúdo aprendido em diversas fontes. Já deve corresponder à sua própria versão do assunto, ser escrito em linguagem persuasiva, ser rico, interessante e estar no formato requerido pela prova. Provavelmente, você se dará por satisfeito se conseguir levar todos os seus textos ao terceiro patamar. O quarto nível é opcional: são aquelas redações perfeitas, modelos de prova, que chegariam perto da pontuação máxima. Serão os textos dos quais se orgulhar e, quem sabe, ver publicados no Guia da Palanca-Negra (já deixando uma sugestão de nome para o próximo). Por causa de todo o esforço e tempo para produzi-los, não são todos os temas que merecem ser tratados nesse nível, só aqueles mais recorrentes e multidisciplinares.

Atualidades e idiomas: output versus input

As notícias e as atividades ligadas ao aprendizado dos idiomas estrangeiros também também farão parte de toda a preparação. Uma rotina extremamente ineficiente consiste em começar o dia lendo as notícias, depois avançar nas leituras de livros, assistir às aulas programadas do cursinho (de um calendário criado por alguém que ignora sua existência), fazer uns exercícios de gramática (inglesa, espanhola, francesa ou portuguesa, não importa!) e, se der tempo, escrever algo ou revisar ou reler anotações de aula. E o fato de essa ineficiência não ser tão óbvia é que torna esse método mais pernicioso. Normalmente recomendo a meus orientandos que tratem as notícias e os discursos oficiais como insumos para a confecção de suas próprias apostilas temáticas e não como um fim em si. Simples assim. Veja o que interessa e atualize seus textos. O mais importante de tudo isso será o efeito que você vai conseguir provocar no examinador. Outro ponto a considerar é que é extremamente desgastante o esforço de estudar do zero mais de um idioma estrangeiro ao mesmo tempo. Muita gente falha ao tentar aprender apenas um, quem diria três! Considere realizar ciclos de estudos dos idiomas. Nesse caso, alterne períodos de estudo intensivo e manutenção. Se não sabe nada de francês, estude-o por três meses. Nesse tempo, o espanhol fica em ritmo de manutenção. E vice-versa.

A aplicação diária do planejamento

No nível tático, cada dia de estudos também deve ser montado seguindo o princípio da especificidade e de forma coerente com seus objetivos gerais. Por isso, em um dia normal de estudos, faz muito mais sentido seguir a sequência:

a) Atividades de produção de conteúdo:

    1. Escrever texto sobre tema da matéria, com foco na exposição do conteúdo (2ª etapa) ou resolver questões objetivas (1º etapa);
    2. Escrever texto dissertativo, com foco na forma;
    3. Escrever redação ou fazer resumo/tradução em idioma estrangeiro;

b) Atividades de teste de aprendizado:

    1. Revisar e memorizar anotações, mapas mentais, fichamentos;

c) Atividades de aquisição de conteúdo:

    1. Ler livros ou artigos sobre um assunto de prova;
    2. Conversar sobre um assunto de prova;
    3. Assistir aula sobre assunto de prova;
    4. Ler notícias.

Seu dia começa com a atividade mais semelhante à prova, que drena grande parte de sua energia, mas também é a que mais contribui para sua aprovação. O dia termina com a atividade mais passiva e menos específica. Simples, não? Não se preocupe. Numa rotina de doze horas de estudo, há espaço para todos esses tipos de atividades.

Seleção bibliográfica

A ênfase no que você produz em detrimento daquilo a que você se expõe (e absorve) relativiza o papel dos próprios materiais de estudo utilizados. Alguns candidatos acreditam que é preciso devorar mais de uma centena de livros para se preparar adequadamente para a prova. Eu achava isso. Aliás, fiz isso. Embora aprovado, essa abordagem me preparou melhor para a fase objetiva da prova do que para as subsequentes. O que mudou para quem tenta a prova hoje é que não basta tirar a nota mínima para passar na última etapa: os concorrentes devem ser batidos. Nesse contexto, a habilidade do convencimento pela escrita ganha mais importância. Mais uma vez, o output se impõe ao input.

Por tudo isso, o ritmo de estudos deve ser o seu. Não existe matéria atrasada. Se já é custoso seguir um calendário ou programa que foi desenhado sob medida para você, desejo-lhe sorte ao tentar cumprir um programa genérico. Seu programa é o seu ritmo. Mastigue e saboreie os temas. Chore com eles. Deixe-se contaminar pelos sentimentos dos autores, pela linguagem empregada. Forme e compartilhe sua opinião. Procure a relevância dos temas onde aparentemente não há. Impressione. Melhor, seja impressionante e se deixe impressionar. Avance ao tema seguinte quando estiver seguro, e não porque uma folha de papel diz que chegou o dia de mudar o livro. Feynman diria que, se você não consegue explicar um determinado assunto a criança, não o aprendeu bem o suficiente. A ênfase no mero cumprimento do plano é, portanto, uma postura equivocada. Em contraste, quando nos concentramos na aplicação diária da disciplina e no processo em si, a aprovação será um desenlace natural e inevitável de todo o plano.

Aproveito o espaço para tomar a liberdade de sugerir algumas leituras que podem ser úteis tanto para a fase de acumulação dos estudos quanto para o aprimoramento das apostilas pessoais ou para servir de referência ocasional. Elas não são, de forma alguma, exaustivas. O mais provável é que você vai querer, uma vez superadas essas obras, aprofundar-se em temas específicos que gostaria de dominar melhor.

História do Brasil. O Povo Brasileiro (Darcy Ribeiro); Raízes do Brasil (Sérgio B. de Hollanda); História do Brasil (Boris Fausto); História Geral do Brasil  (Maria Yedda); História da Política Exterior do Brasil (Cervo & Bueno); Coleção História do Brasil Nação (Lilia Schwarcz); A Diplomacia na Construção do Brasil (Rubens Ricupero); História das Relações Internacionais do Brasil (Doratioto);

História Mundial. História da Civilização Ocidental vol. 2 (Edward Burns); História do Mundo Contemporâneo (Norman Lowe); O Mundo Contemporâneo (Demétrio Magnoli).

Português. Gramática da Língua Portuguesa (Celso Cunha); Comunicação em Prosa Moderna (Othon Garcia); Um Banquete no Trópico (Lourenço Dantas Mota).

Política Internacional. História das Relações Internacionais Contemporâneas (Sombra Saraiva); Teoria das Relações Internacionais (Messari).

Geografia. Geografia para o Ensino Médio (Demétrio Magnoli) ou Conexões: Estudos de Geografia Geral e do Brasil (Lygia Terra); Brasil: território e sociedade no limiar do séc. XXI (Milton Santos & Maria Laura Silveira); Geografia: Conceitos e Temas (Iná Elias de Castro); Atlas do Brasil (Hervé Therry).

Direito Internacional. Nenhum outro manual supera o Direito Internacional Público e Privado, de Paulo Henrique Portela, que, curiosamente, já foi diplomata.

Direito Interno. Apostilas do Estratégia Concursos.

Economia. Introdução à Economia (Mankiw); A Ordem do Progresso (Marcelo de Paiva Abreu). Manual de Economia da USP; Formação Econômica do Brasil (Celso Furtado); Formação Econômica do Brasil (Caio Prado Jr.); Economia Brasileira Contemporânea (Amaury Patrick Gremaud).

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